Desafio de Universalização do Saneamento
É hora de mudar o rumo da universalização do saneamento no Brasil. Com metas ambiciosas para 2033, a indústria enfrenta desafios significativos para alcançar o objetivo de 99% da população com água potável e 90% com coleta e tratamento de esgoto.
Reconhecendo o Ponto de Partida
De acordo com o SINISA, cerca de 33 milhões de brasileiros vivem sem água potável e aproximadamente 90 milhões sem coleta de esgoto. Só duas unidades da federação (SP e DF) já passaram dos 90% de coleta do esgoto, e nenhuma universalizou totalmente a água.
O Que Significa Universalizar?
Universalizar não é apenas cobrir, é cobrir com água que chega todo dia e com esgoto que não volta cru para o rio. A lei exige metas de não intermitência do abastecimento, de redução de perdas e de melhoria dos processos de tratamento.
Desafios e Oportunidades
Com o investimento anual em saneamento aumentando para R$ 42 bilhões, a indústria enfrenta desafios para esticar cada R$ 1. A tecnologia pode acelerar a universalização, mas é necessário esticar nos dois sentidos: fazer o investimento render mais rede hoje e fazer a rede que ele paga durar mais.
O Modelo Hidráulico como Laboratório
O modelo hidráulico é uma representação matemática da rede, que pode ser calibrado com dados de campo e alimentado continuamente pela operação. Ele pode ser usado para simular diferentes cenários e encontrar a melhor solução para a universalização.
Simulações e Otimização
Com os algoritmos de otimização, é possível realizar milhares de simulações ao mesmo tempo, todas checando as mesmas regras: pressão mínima na torneira, velocidade da água, custo de obra, gasto de energia. O resultado é um conjunto de alternativas mostrando a troca concreta entre custo e resiliência.
As Três Respostas que Mais Importam
- Diâmetro: qual o menor tubo que atende a demanda de hoje e a de daqui a 20 anos.
- Demanda: como a rede se comporta em vários cenários de crescimento, não só no mais provável.
- Plano de implantação: em que ordem construir para atender mais gente mais cedo, com o mesmo orçamento.
Esticar Cada R$ 1
Esticar cada R$ 1 é gastar bem e fazer o investimento durar. São duas contas diferentes, e o projeto otimizado mexe nas duas. A primeira é imediata: recurso, tubo e equipe economizados num projeto vão para outra frente. A segunda aparece com o tempo: rede dimensionada para vários cenários aguenta melhor o crescimento, opera com pressão mais equilibrada, gasta menos energia de bombeamento e quebra menos.
Antes de Aprovar o Próximo Projeto de Expansão
É importante testar o projeto contra quantos cenários de demanda, e não só contra o mais provável. O diâmetro escolhido deve ser comparado com alternativas no modelo hidráulico, considerando custo de obra e de energia ao longo da vida da rede. A ordem de implantação deve ser pensada para atender mais gente mais cedo.