Um estudo recente realizado nos Estados Unidos revelou que 84, 6% dos consumidores reagem negativamente quando encontram produtos anunciados indisponíveis nas prateleiras dos supermercados. Essa descoberta foi apresentada durante a conferência GroceryNEXT, em Chicago, e destaca a importância da eficiência operacional e da confiança do cliente no varejo alimentar. Os consumidores tendem a perdoar problemas como filas no checkout ou obras temporárias, mas não toleram a falta de produtos nas gôndolas.
Desafios do Varejo Alimentar
A ruptura de gôndola é um dos principais desafios enfrentados pelo varejo de margem estreita e alto giro. Com a maturidade do comércio omnichannel, a importância de manter as prateleiras abastecidas se tornou ainda mais crítica. Além disso, a pesquisa mostrou que 43, 1% dos consumidores utilizam o aplicativo ou site do supermercado como primeira fonte de informação sobre produtos, superando motores de busca genéricos e a navegação física nos corredores da loja.
A Importância da Vitrine Digital
A vitrine digital se tornou a fonte primária de verdade para os consumidores. Quando eles pesquisam produtos no aplicativo ou site do supermercado e constatam que o produto está disponível, mas encontram uma gôndola desabastecida ao chegar à loja, a quebra de confiança é fatal. Isso não apenas resulta na perda de uma venda, mas também destrói a credibilidade digital da marca.
Estratégias para Melhorar a Eficiência Operacional
Para resolver esses desafios, é necessário adotar um roteiro estruturado em quatro fases. A primeira fase envolve o saneamento e a blindagem do Master Data, que é o alicerce de qualquer inteligência. A segunda fase inclui a telemetria de PDV e o gatilho de venda zerada, que permite monitorar em tempo real a disponibilidade de produtos nas gôndolas. A terceira fase se concentra na acuracidade de estoque e redução de quebras, enquanto a quarta fase envolve a integração com a indústria e a eficiência de doca.
Fase 1: Saneamento e Blindagem do Master Data
A primeira fase é crucial para garantir a precisão dos dados. Isso envolve o saneamento sistemático do cadastro mestre de produtos, unificando dados fiscais, dimensões logísticas e regras de conversão. Com uma base típica de 30 mil SKUs no atacarejo, uma força-tarefa focada nos itens de maior relevância pode concluir esse saneamento em 4 a 6 semanas.
Fase 2: Telemetria de PDV e o Gatilho de Venda Zerada
A segunda fase inclui a implementação de um sistema de monitoramento em tempo real para detectar a falta de produtos nas gôndolas. Isso pode ser feito utilizando regras simples de mensageria e consultas leves no banco transacional do PDV, enviando o chamado diretamente para o coletor ou celular do encarregado de setor.
Fase 3: Acuracidade de Estoque e Redução de Quebras
A terceira fase se concentra na sincronização entre o chão de loja e os canais digitais. Isso exige a rotina inegociável do inventário rotativo cego, focado nas curvas A e B. Elevando a acuracidade de estoque para patamares de 95%, é possível reduzir as quebras operacionais e perdas de perecíveis em até 25% a 28%.
Fase 4: Integração com a Indústria e Eficiência de Doca
A quarta fase envolve a conexão direta da previsão de demanda da ponta com o portal de fornecedores e o agendamento de docas. Isso permite que indústria e varejo compartilhem os mesmos padrões de lote, data de validade e nível de serviço, alcançando a máxima eficiência no reabastecimento contínuo.
O Papel do CIO na Eficiência Operacional
A liderança de tecnologia precisa abandonar a postura do CIO Zelador e assumir o papel de CIO Arquiteto de Margem e de Negócios. Isso envolve calçar a bota, descer ao chão de loja, conversar com o operador de empilhadeira na doca e ouvir as dores do repositor no corredor. A tecnologia deve servir para proteger a margem bruta, eliminar custos invisíveis e atender às pessoas.